A construção singular do Dicionário de Favelas

Sonia Fleury, uma das criadoras, expõe duas marcas essenciais da iniciativa — que não para de crescer. Ela oferece narrativas próprias sobre os bairros populares no Brasil, e coloca em raro diálogo autores das comunidades e da academia

Por Sonia Fleury ementrevista paraMarcha|Tradução: Vitor Costa

Dicionário de Favelas “Marielle Franco”, uma iniciativa conjunta da comunidade acadêmica e dos moradores de favelas, é uma plataforma online que busca oferecer outras narrativas sobre os territórios e pessoas que habitam os bairros populares do Brasil, fora do olhar estigmatizante da mídia hegemônica.

Baseado no formado Wikipedia, o Dicionário foi criado em 2014 para oferece “acesso público para a produção e circulação de conhecimento sobre favelas e periferias”. Produto de uma articulação entre universidades, instituições e grupos organizados dos bairros periféricos do Brasil, o Dicionário busca estimular e permitir a coleta e construção coletiva de conhecimento, com papel preponderante dos moradores das favelas. O site argentino Marcha entrevistou a ideóloga do projeto, Sonia Fleury, doutora em Ciências Sociais, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz e integrante do Conselho Editorial do Dicionário.

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Como surgiu a iniciativa de fazer o Dicionário e o que mudou entre a ideia original de 2014 e sua versão atual?

Sonia Fleury – Eu venho de outra área, minha especialidade é em políticas públicas de saúde e políticas sociais. Me envolvi muito na construção de programas universais de Proteção Social no Brasil e na América Latina. Além disso, estive muito envolvida com a Universidade Nacional de Lanús (UNLa), onde publicamos um artigo sobre o Dicionário na revista Salud Coletiva, publicação científica de acesso aberto editada pelo Instituto de Saúde Coletiva da Faculdade.

O esforço que estávamos fazendo não era ruim, mas era limitado. Era preciso construir um “cidadão”, e não apenas uma construção legal e institucional. Então resolvi entrar mais em contato com as periferias onde percebi, desde o primeiro momento, que havia uma juventude muito mais envolvida em criar coisas, quase uma forma de rebeldia contra a exclusão que sempre viveram. Ao mesmo tempo, aprendi que o conhecimento sobre as favelas era escasso e concentrado na universidade, porque a própria política pública negava a existência desses bairros. Se você olhasse nos mapas do Rio de Janeiro há alguns anos, onde deveriam estar as favelas havia apenas árvores.

Suas lutas, sua resistência, suas lideranças, a história de sua própria cultura política, a organização dos bairros, são temas muito pouco conhecidos. Há o conhecimento da própria comunidade e também de pesquisadores que estudam o assunto, mas que em geral não são tão acessíveis. Além disso, há uma hierarquização entre o saber popular e o universitário. Então, todos esses problemas me estimularam a procurar um instrumento de última geração, uma plataforma wiki. Porque, apesar de usarmos a tecnologia deles, nós não queríamos fazer isso dentro da própria Wikipédia, porque temos princípios políticos diferentes. Na Wikipédia existe um artigo único, o que significa que existe um consenso implícito. Nós sabemos que existem divergências e queríamos expressá-las. Então, se você quiser escrever sobre a história das favelas, pode fazê-lo e todas as opiniões são refletidas, gerando debate.

Um dos problemas que surgiram foi que, inicialmente, a plataforma era apenas para escrever artigos. E as pessoas que vivem nas favelas, embora tenham uma capacidade de reflexão muito aguçada sobre sua realidade e sua situação política, não estão disponíveis para escrever sobre isso. Primeiro, porque a escrita é um habitus de classe, os estudantes universitários são treinados para isso, mas os moradores das favelas não são. Além disso, as organizações de bairro não concebem que os militantes das favelas devem parar sua atividade para escrever. Então tivemos que mudar a plataforma e adicionar outros recursos, principalmente multimídia, e outras formas de expressão típicas dos jovens, como música hip hop, funk, poesia, fotos.

Como a chegada de Jair Bolsonaro à presidência impactou o desenvolvimento do Dicionário?

A chegada de Bolsonaro teve várias implicações. Eu, por exemplo, trabalhei na Fundação Getúlio Vargas, instituição que forma empreendedores. Com um regime mais autoritário no país, as instituições começaram a expulsar pessoas inconvenientes, como eu, que toleravam há 30 anos. De lá fomos para a Fundação Oswaldo Cruz, uma instituição que tem um compromisso social muito mais definido e que tem uma longa relação com as favelas de seu entorno.

Então, por um lado, Bolsonaro era uma ameaça à continuidade do projeto, mas, por outro, acabamos em uma instituição muito mais identificada ideológica, política e socialmente com a proposta. Isso também se refletiu na aceitação do projeto pelas lideranças do bairro. Por ter surgido da Fundação Getúlio Vargas, embora não me identificasse com a ideologia daquela instituição, havia certo receio e desconfiança por parte das lideranças locais por ser uma fundação ligada à direita e aos empresários.

Há problemas que vão além de Bolsonaro. O racismo é um componente estrutural das relações de poder no Brasil. Isso não mudou, não é nem mais nem menos do que antes. Pode ser mais ou menos explícito dependendo do momento político. Se existe um governo misógino, muito próximo das milícias e da polícia, que domina parte do poder institucional no Rio de Janeiro e parte das favelas, é muito mais arriscado para a população desses setores, principalmente as mulheres. Além disso, houve a liberalização da compra de armas pesadas, o que acaba sendo um mecanismo legal para que milicianos e narcotraficantes tenham acesso a essas armas.

Precisamente, falando em violência paramilitar e policial, há indícios claros de que integrantes desses setores tenham participado do feminicídio de Marielle Franco em 2018. Além do fato de ela ter nascido e morado em uma favela, por que a escolheram para nomear o Dicionário?

Inicialmente, o projeto foi chamado de “Dicionário Carioca de Favelas”, e Marielle foi uma das pessoas que apoiou fortemente a ideia desde o início. Quando a convidei para escrever, ela imediatamente deu sua contribuição. Um dos artigos do Dicionário foi iniciado por ela. Após seu assassinato, o grupo político que a acompanhava terminou de escrevê-lo.

Resolvemos homenagear Marielle porque ela representou muito em pouco tempo. Tornou-se um símbolo muito forte da necessidade de novas formas de fazer política e novos slogans. Ela era uma mulher da favela, ela era negra, ela era lésbica. Defendeu todas aquelas populações marginalizadas pelo sistema. Foi votado por muitos dos jovens da cidade, e não apenas das favelas. Quando ela foi morta, houve manifestações por todo o Rio de Janeiro e outras cidades do Brasil. Foi uma pessoa que fez política de cidadania: junto com o povo, junto com os movimentos juvenis. Isso ameaçava os poderes do Estado.

A entrada de mulheres da favela na política é um fenômeno novo. Antes, os movimentos de bairro eram muito antiestatais, como os movimentos sociais em geral. Há uma mudança mais recente no sentido de que passam a disputar essa arena de representação. Mas com um impulso bem diferente, na forma das mandatas, que são grupos em que uma candidata é eleita, mas todas participam da representação. Matar Marielle foi uma tentativa de impedir que aquela voz saísse. Mas aquelas mulheres que eram do seu grupo, que eram negras e das favelas, foram eleitas para o Legislativo para dar continuidade ao seu legado. Houve uma reprodução e aumento da participação desses grupos.

Presumimos que a voz de Marielle não poderia ser silenciada. O Dicionário é um compromisso com sua voz, com suas bandeiras: defendemos o povo das favelas, a população negra, a juventude, o coletivo LGTBIQ+. Abrimos um espaço para que sua voz circule pela cidade. É por isso que o nomeamos em sua homenagem.

No artigo publicado na revista da Universidade Nacional de Lanús vocês afirmam que o Dicionário não é suficiente para gerar uma mudança na subjetividade do sujeito da favela. O que poderia efetivamente ser a força motriz dessa transformação?

Há um autor originário de uma favela de São Paulo, Tiarajú Pablo D’Andrea, que criou um conceito muito interessante que é o de “sujeito periférico”. A discussão do processo de subjetivação dos moradores das favelas está acontecendo; o Dicionário não vai criar isso, somos parte de algo que está em andamento. A proposta do autor é que antes os partidos de esquerda ou grupos eclesiásticos de base iam para esses bairros para organizar as pessoas a partir de um conceito de carência, de necessidades insatisfeitas. O que D’Andrea diz é que esta abordagem não aumenta a autoestima de ninguém: colocar-se como pobre, como carente. No novo processo de subjetivação que está em curso, aquele jovem da favela que antes tinha medo de dizer onde morava quando procurava um emprego ou quando se candidatava, hoje não vive dessa forma. Agora gera para ele um certo orgulho.

É através da cultura, da poesia, da dança, do teatro, da música, como o hip hop ou o funk, que essas pessoas começaram a se manifestar de um lado não da falta, mas do poder. Hoje os jovens são empoderados, como pessoas que possuem uma identidade positiva. Este é um processo muito recente de construção de uma cidadania insurgente e coletiva. Essas novas formas de organização serão um desafio para as eleições presidenciais deste ano, especialmente para Lula. Porque ele se baseava no trabalho formal, organizado, sindical, uma forma mais tradicional. Mas há alguns anos, o Movimento dos Sem Terra ganhou muita força e apareceu como um ator político muito importante. Também o Movimento dos Sem-teto, organizado a partir da falta de moradia popular. São sujeitos políticos com os quais ele precisará se articular para governar.

Mas nas favelas também há grupos muito reacionários ligados a Bolsonaro, os evangélicos/pentecostais, que cresceram enormemente em todas as periferias. Então, você tem aquele grupo de jovens mais insurgente e outro mais tradicionalista, que vê uma proposta religiosa que também os valoriza como pessoas, que tira deles o estigma da marginalidade. Essa vai ser a grande disputa das eleições. Bolsonaro vai ter muito apoio dos chefes dessas igrejas, que são como uma máfia e que têm, no Brasil, um projeto político próprio.

* Especialista em assuntos latino-americanos, foi consultor da CEPAL e assessor estratégico do governo do Chile (2014-2018). Hoje, trabalha em assuntos humanitários para questões de imigração.

fonte: https://outraspalavras.net/movimentoserebeldias/a-construcao-singular-do-dicionario-de-favelas-a/

No WikiFavelas, a potência da Comunicação Popular

Em ano eleitoral, será preciso superar o atraso e disputar a internet com a ultradireita, sugere o Dicionário Marielle Franco. Teia de mídias alternativas será crucial na batalha para desbaratar fake news e articular a resistência das periferias

“A potencialidade política da internet ainda não chegou a muitos processos de resistência” – alerta o verbete sobre a Teia de Comunicação Popular do Brasil, no Dicionário de Favelas Marielle Franco. Em tempos de “pós-verdade”, onde bastam pouco cliques para que se multiplique a desinformação promovida pelas “fake news”, a frase chama atenção para uma das principais pautas a serem reforçadas na contemporaneidade: mais do que nunca, é preciso fortalecer, apoiar e qualificar as iniciativas faveladas e periféricas no campo da comunicação popular contra-hegemônica.

Embora ainda pouco conhecidas pelo grande público, as iniciativas de comunicação popular de favelas e periferias têm uma extensa trajetória histórica, que vai desde a produção por mimeógrafos – como foi a da Revista Nós, da Cidade de Deus, entre 1977 a 1980 – à realização de pesquisas locais, com produção de dados e outros insumos audiovisuais para disputar narrativas com a imprensa formal e o próprio Estado sobre o que acontece, de fato, nas favelas. Esse é o objetivo, por exemplo, do LabJaca – Favela Gerando Dados, criado em 2020 na favela do Jacarezinho, zona norte do Rio de Janeiro.

Tais iniciativas, portanto, não se propõem apenas a comunicar, mas também a organizar politicamente seus(as) leitores(as) para percepção, crítica e transformação da realidade em que vivem. No contexto de dois anos de combate à pandemia de covid-19 no Brasil, por exemplo, o Dicionário de Favelas Marielle Franco buscou contribuir para essa luta histórica, apoiando os coletivos envolvidos na produção de informação popular sobre a emergência sanitária, e reuniu pesquisas, reportagens, fotos, vídeos, comentários, artigos, ensaios e reflexões acadêmicas sobre os impactos do coronavírus nas favelas. No âmbito desse projeto, foi possível construir uma base de dados aberta com 783 notícias sobre coronavírus nas favelas, ordenadas segundo os tipos de veículos onde foram publicadas – mídia comunitária, imprensa comercial, imprensa alternativa (que não necessariamente possui vinculação territorial) e portais institucionais públicos e privados.

Neste período de enfrentamento às políticas da morte e aos negacionismos, a articulação comunitária na produção de dados sobre os territórios ganhou destaque, como no Painel Covid-19 Santa Marta, iniciativa dos irmãos Thiago e Tandy Firmino; no Painel Unificador Covid-19 nas Favelas, que reúne diversas ações em todo o Brasil numa iniciativa da rede de Comunidades Catalisadoras (ComCat); e no projeto Diário da Pandemia na Periferia, realizado pelo Núcleo Piratininga de Comunicação. Ainda sobre a discussão a respeito das “fake news” em saúde, o Dicionário de Favelas Marielle Franco apoiou a realização de um projeto de extensão junto à Universidade Federal Fluminense (UFF) e ao Pré-vestibular Machado de Assis, no Morro da Providência, com o objetivo de desenvolver ações pedagógicas junto aos moradores dentro da perspectiva da educação popular em saúde. Essas iniciativas buscaram não somente lançar luz sobre as experiências da pandemia nestas localidades, mas fundamentalmente modificar o enquadramento por meio do qual essas questões estavam sendo enfrentadas. Como parte da luta por direitos de cidadania, essas ações apontaram no sentido da valorização das potências emergentes desses territórios e de suas populações.

Apesar do luto e das milhares de vidas perdidas no país, avançada a vacinação pelo SUS, o objetivo estratégico que se impõe a esse novo momento político é o de manter ativa essa ampla rede de coletivos, ativistas e atores vinculados à comunicação popular em favelas e periferias, sobretudo diante dos novos desafios, como por exemplo, a vocalização de suas demandas no debate que envolverá as eleições nacionais de 2022. Por isso, uma das prioridades de atuação do Dicionário de Favelas Marielle Franco neste ano tem sido o fomento de uma rede de parceiros ligados à comunicação e produção audiovisual sobre favelas e periferias, dentre eles o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde e a VideoSaúde – ambos da Fiocruz –, a Revista de Comunicação Dialógica, o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas e a Faculdade de Educação da Baixada Fluminense – todos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

No âmbito desse grupo, o Dicionário de Favelas Marielle Franco juntou-se ao Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), instituição de prestígio e com uma longa trajetória de mais de 25 anos de organização dos trabalhadores e trabalhadoras no campo da comunicação, para promover conjuntamente o 24º Curso de Comunicação Popular do NPC, no Rio de Janeiro, entre abril e setembro deste ano. No curso que, desde 2004, forma lideranças como Gizele Martins, jornalista do Complexo da Maré, e Euro Mascarenhas, jornalista do Rio On Watch, estuda-se comunicação, na teoria e na prática, mas não só. Estuda-se a história e a realidade vivida no Rio de Janeiro por trabalhadores e trabalhadoras, mediadas pelo compartilhamento de suas experiências.

Além de reunir, formar e organizar esses(as) comunicadores populares(as) – como conta o livro “Experiências em Comunicação Popular no Rio de Janeiro”, lançado em 2016, e no “Almanaque da Comunicação e Sindical e Popular no Rio de Janeiro”, lançado na abertura do curso deste ano, é importante destacar que o NPC foi o idealizador da Teia de Comunicação Popular do Brasil, lançada em 2018, no Fórum Social Mundial, em Salvador. Reunindo iniciativas de todo o país, seu objetivo é fortalecer a comunicação daqueles que lutam por direitos, terra, moradia, trabalho, cultura, arte, respeito, dignidade, pelo meio ambiente e pela vida. Mais detalhes podem ser encontrados no verbete escrito por Luisa Santiago, do Núcleo Piratininga de Comunicação, e reproduzido abaixo. (Introdução e seleção: Equipe do Dicionário de Favelas Marielle Franco).


Teia de Comunicação Popular do Brasil

Teia de Comunicação Popular do Brasil, idealizada pelo Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), busca identificar fios que se entrelaçam, tecendo, juntando e compondo uma rede de solidariedade entre diferentes experiências de comunicação contra-hegemônica, espalhadas pelo Brasil. Foi lançada no Fórum Social Mundial 2018, em Salvador.

O objetivo é produzir e compartilhar as histórias das lutas e da vida das trabalhadoras e dos trabalhadores do país. O povo, organizado em seus territórios, ainda carece muito de comunicação. A potencialidade política da internet ainda não chegou a muitos processos de resistência. Abriu-se um novo campo de possibilidades, mas também cheio de complexidades e com a tendência de apenas reproduzir a estrutura de dominação do capitalismo presente nos meios de comunicação de massa. Isso em conjunto com um profundo avanço do grande capital, do ataque a conquistas históricas dos trabalhadores, da crescente violência contra periferias, camponeses, povos e comunidades tradicionais, contra os direitos humanos e nossa frágil democracia.

O desafio e a proposta é fortalecer a comunicação daqueles que lutam por direitos, terra, moradia, trabalho, cultura, arte, respeito, dignidade, pelo meio ambiente e pela vida.

A Teia, nesse sentido, é uma estratégia para fazer com que tudo isso chegue da forma mais organizada possível à opinião pública e a todas e todos que querem um mundo melhor, mais justo e mais igualitário. Ela pode ser acessada por meio da plataforma http://teiapopular.org/

Compõem a Teia de Comunicação Popular do Brasil: Agência Abraço Brasil; Agência Tambor (MA); CDD Vive (RJ); Jornal A Notícia Por Quem Vive (RJ); Centro Sabiá (PE); Furo (PA); Jornal Abaixo Assinado (RJ); Jornalismo B (RS); NPC (RJ); Outras Palavras; Rádio Classista (CE); Terra Sem Males (PR); Vias de Fato (MA); Voz das Comunidades (BA); Vozes das Comunidades (RJ) – entre outros.

Consideramos a existência dessas diversas iniciativas alternativas para disputa da narrativa junto à sociedade, como coletivos populares e sindicatos, e a nossa responsabilidade como ativistas da comunicação popular há quase 25 anos – com contatos em todo o país –, nos vimos diante de uma conjuntura política assustadora para o campo social e instigados a criar a Teia da Comunicação Popular do Brasil.

O Manifesto

A palavra teia nos remete a um emaranhado de fios. Ao propor a organização de uma, o Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) quer identificar fios que irão se entrelaçar, tecendo, juntando e compondo uma rede de solidariedade entre belíssimas e diferentes experiências de comunicação contra-hegemônica, espalhadas pelo Brasil.

Vamos entrelaçar ideias! Compor e compartilhar as histórias de trabalhadoras e trabalhadores do país. Vamos tramar uma estratégia para fazer com que tudo isso chegue da forma mais organizada possível a opinião pública e a todas e todos que querem um mundo melhor, justo e igualitário.

É com esse objetivo ousado, mas extremamente urgente e necessário, que lançamos no Fórum Social Mundial 2018, em Salvador, a Teia da Comunicação Popular do Brasil. Após quase 25 anos de caminhada do Núcleo Piratininga Comunicação (NPC), e diante da difícil conjuntura que o nosso país enfrenta hoje, nós queremos fazer nossa parte.

Reconhecemos nossa possibilidade e responsabilidade nesse momento de profundo avanço do grande capital, do ataque a conquistas históricas dos trabalhadores, da crescente violência contra periferias, camponeses, povos e comunidades tradicionais, direitos humanos e nossa frágil democracia.

Queremos mapear experiências de comunicação populares espalhadas pelo Brasil, ligadas a processos sociais de resistência.

Queremos estimular a articulação de diversas experiências de comunicação popular, para uma ação que permita ampliar a visibilidade e fortalecer os processos de insurgência e de lutas sociais que ocorrem em diferentes regiões do país, criando uma rede de solidariedade, para incentivar e apoiar a produção de comunicação popular.

O povo organizado, em seus territórios, ainda carece muito de comunicação. A potencialidade política oriunda da internet ainda não chegou a muitos processos de resistência. O desafio é fortalecer a comunicação daqueles que lutam por direitos, terra, moradia, trabalho, cultura, arte, respeito, dignidade, pelo meio ambiente, pela vida.

Por isso, consideramos necessário esse processo de articulação e mobilização, para expandir a força e/ou tirar do isolamento as diferentes experiências de luta social.

E queremos que você ajude o NPC a criar a Teia de Comunicação Popular do Brasil. Com a sua importante participação e colaboração, somada a nossa experiência com inúmeros cursos de formação e milhares de contatos em diversos pontos do país, chegaremos lá.

Resistir e criar! Resistir é transformar! Vamos juntos!

Salvador, 15 de março de 2018

As experiências

Abraço Brasil

Agência Abraço de Comunicação Comunitária é uma instituição criada em 2005 para a produção e distribuição de conteúdos radiofônicos de interesse das comunidades atendidas pelas cerca de 5 mil rádios comunitárias do Brasil.

As políticas públicas, as campanhas de interesse social, o dia a dia, a rotina, os fatos que muitas vezes são ignorados pela imprensa tradicional e que são muito importantes para as pessoas de determinada região ou bairro. É a proximidade da informação com foco no interesse do cidadão e das suas necessidades.

Missão: A missão da Agência Abraço é democratizar o acesso à informação, produzindo e distribuindo notícias, matérias, conteúdos e serviços de interesse social para o cidadão e para as comunidades de maneira mais direta e que realmente sejam de interesse dos moradores de uma determinada região. É levar o serviço de informação para a comunidade de maneira clara, simples e ágil. É a democratização da informação de forma independente e avançada para a conquista da luta de todos por melhores condições de vida na comunidade.

Agência Tambor

A Agência Tambor é uma ação de apoio a comunicação livre, popular, comunitária e alternativa. Fundada em março de 2018, é uma iniciativa da Sociedade Maranhense de Mídia Alternativa e Educação Popular Mutuca, em parceria estratégica com a Associação Brasileira de Rádios Comunitária no Maranhão (Abraço-Ma), com o Sindicato dos Bancários do Maranhão (SEEB-MA), Jornal Vias de Fato e outras organizações sociais.

A Tambor tem uma Rádio Web, que pode ser acessada no site agenciatambor.net.br. De segunda a sexta é produzido o Jornal da Tambor, um rádio-jornal, com uma hora de duração, sempre a partir das 11h.

A Agência é um espaço para produção de conteúdo jornalístico. Um instrumento comprometido com a luta das trabalhadoras e trabalhadores do campo e da cidade, dos povos e comunidades tradicionais, por um movimento sindical forte e independente, pela defesa permanente dos direitos humanos, pelo combate ao machismo, racismo, homofobia, com o compromisso com os povos e comunidades tradicionais, pela preservação do meio ambiente e pelo respeito e estimulo à arte e a cultura.

Trata-se de uma ação em favor da democratização da comunicação do Brasil. Uma ação a partir do Maranhão, estado brasileiro com a maior concentração midiática do país. O projeto da Agência Tambor amadureceu e ganhou força a partir do I Seminário Comunicação e Poder no Maranhão, realizado em São Luís, em outubro de 2017.

O seu nome é uma homenagem à comunicação quilombola, que em vários casos recorre ao toque dos tambores para reunir as comunidades e dar as notícias necessárias.

Blog Buliçoso

Sob a responsabilidade da jornalista maranhense Flávia Regina Melo, âncora da rádio web Tambor, o blog Buliçoso é um projeto editorial que, a propósito do nome, surgiu de uma profunda inquietação diante da abordagem reducionista em certo modo industrial de noticiar. Interpretar e ir muito além dos fatos, considerando que por trás de cada manchete ou postagem existe uma infinidade de questões ocultas ou negligenciadas pela comunicação hegemônica, são os elementos norteadores da página. O blog adota o provocante slogan “notícia não tem pernas curtas”, em referência direta ao momento difícil vivido pelo jornalismo, em tempos de pós-verdade, fake news e de um limite cada vez mais esgarçado entre opinião x boatos. Porém, em defesa permanente da busca pela enorme variedade de questões e subtemas ocultos em cada matéria jornalística sobre homicídios, chacinas, surtos de doenças, catástrofes e outros, inclusos nos pacotes de problemas da atualidade. Bulir, que significa “mexer”, “mover-se”, é ir além da notícia porque ela não tem pernas curtas!

Blogue do Ed Wilson

Jornalismo com artigos, reportagens, crônicas e notas sobre temas locais, nacionais e internacionais. Resenhas, dicas e outros toques… O blogue é editado por Ed Wilson Araújo, jornalista, doutor em Comunicação (PUCRS), professor do curso de Rádio e TV da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Presidente da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias do Maranhão (ABRAÇO-MA).

Brasil de Fato

O Brasil de Fato (BdF) é um site de notícias e uma radioagência, além de possuir jornais regionais no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, em São Paulo, no Paraná e em Pernambuco. Lançado em 25 de janeiro de 2003, o BdF circulou por mais de dez anos com uma versão impressa nacional.

Por entenderem que, na luta por uma sociedade justa e fraterna, a democratização dos meios de comunicação é fundamental, movimentos populares criaram o Brasil de Fato para contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país.

O primeiro veículo da rede Brasil de Fato foi o semanário nacional, lançado no Fórum Social Mundial de Porto Alegre, em janeiro de 2003. Logo após, foi lançado o site do Brasil de Fato, com coberturas das lutas sociais, entrevistas e notícias sobre política, economia, direitos humanos e cultura, sob uma visão popular das cidades, do Brasil e do mundo.

Os jornais regionais surgiram a partir de maio de 2013 para promover uma aproximação com os leitores e leitoras, além de dialogar com as realidades locais, e hoje o cenário aponta para uma ampliação da cobertura, que deve alcançar ainda mais estados do país.

Em 2014, o BdF incorporou a Radioagência Notícias do Planalto (NP), que atuava há dez anos na produção radiofônica de notícias. As matérias da Radioagência Brasil de Fato, em áudio e texto, são enviadas para rádios de todo o país e também estão disponíveis no site. Os temas tratados são de política, economia, direitos humanos, cotidiano e cultura, além de produções de serviços.

Plural e diversificado, o BdF reúne jornalistas, articulistas e movimentos populares do Brasil e do mundo.

Além do site, da Radioagência e das edições impressas, o Brasil de Fato circula pelas redes sociais, por Facebook, Twitter, Youtube, Flickr e SoundCloud.

Todos os conteúdos do Brasil de Fato podem ser reproduzidos livremente, sempre citando a fonte e publicados na íntegra.

CDD Vive

O Jornal CDD Vive é feito por moradores da Cidade de Deus, bairro da zona oeste do Rio de Janeiro. [em construção]

Centro Sabiá

O Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá é uma organização não governamental com sede no Recife, Pernambuco, fundada em 1993, que trabalha para promoção da agricultura familiar dentro dos princípios da agroecologia. Desenvolvendo e multiplicando a Agricultura Agroflorestal, também conhecida como Agrofloresta ou Sistemas Agroflorestais. Juridicamente é uma associação civil de direito privado sem finalidade econômica, de natureza técnico-ecológica e educacional.

Missão: “Plantar mais vida para um mundo melhor, desenvolvendo a agricultura familiar agroecológica e a cidadania”.

A missão do Centro Sabiá expressa o desafio de interagir com os diversos setores da sociedade civil, desenvolvendo ações inovadoras junto ao trabalho com crianças, jovens, mulheres e homens na agricultura familiar. Na perspectiva de que a sociedade viva em harmonia com a natureza e seja consciente, autônoma e participativa na construção de um modelo de desenvolvimento rural sustentável.

Origem do nome: O SABIÁ é um pássaro que simboliza bem a biodiversidade do planeta. Existem mais de 300 espécies dele em todo o mundo. No Brasil, esse pássaro está presente em todas as regiões, habitando nas matas e também nas cidades. A sobrevivência dele, em diferentes ambientes, deve-se a uma dieta diversificada composta por frutos, pequenos insetos, restos de comidas e minhocas. O pássaro possui um dos mais belos e intensos cantos.

A SABIÁ é uma árvore nativa da Caatinga, do Nordeste brasileiro, que se adapta bem a outros climas e regiões do Brasil. Ela ganhou esse nome por ter a cor do caule muito parecida com a do pássaro. É uma árvore que possui variedades, algumas têm espinho e outras não. É indicada para enriquecer e recuperar solos degredados. É uma árvore bastante querida por quem cuida da agricultura e do meio ambiente.

CIMI

O Cimi é um organismo vinculado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) que, em sua atuação missionária, conferiu um novo sentido ao trabalho da igreja católica junto aos povos indígenas.

Criado em 1972, no auge da Ditadura Militar, quando o Estado brasileiro adotava como centrais os grandes projetos de infraestrutura e assumia abertamente a integração dos povos indígenas à sociedade majoritária como perspectiva única, o Cimi procurou favorecer a articulação entre aldeias e povos, promovendo as grandes assembleias indígenas, onde se desenharam os primeiros contornos da luta pela garantia do direito à diversidade cultural.

Comissão Pastoral da Terra

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) nasceu em junho de 1975, durante o Encontro de Bispos e Prelados da Amazônia, convocado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizado em Goiânia (GO). Foi fundada em plena ditadura militar, como resposta à grave situação vivida pelos trabalhadores rurais, posseiros e peões, sobretudo na Amazônia, explorados em seu trabalho, submetidos a condições análogas ao trabalho escravo e expulsos das terras que ocupavam.

Nasceu ligada à Igreja Católica. O vínculo com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ajudou a CPT a realizar o seu trabalho e a se manter no período em que a repressão atingia agentes de pastoral e lideranças populares. Logo, porém, adquiriu caráter ecumênico, tanto no sentido dos trabalhadores que eram apoiados, quanto na incorporação de agentes de outras igrejas cristãs, destacadamente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IECLB.

O que a CPT objetiva: A CPT foi criada para ser um serviço à causa dos trabalhadores e trabalhadoras do campo e de ser um suporte para a sua organização. O homem e a mulher do campo são os que definem os rumos a seguir, seus objetivos e metas. Eles e elas são os protagonistas de sua própria história. A CPT os acompanha, não cegamente, mas com espírito crítico.

Jornal Popular do Movimento Fóruns e Redes de Cidadania do Maranhão

Fundado após um enorme acúmulo de debate pelo Movimento Fóruns e Redes de Cidadania do Maranhão, em dezembro de 2018 foi iniciado o projeto de um jornal desvinculado das elites, que representasse o ponto de vista dos trabalhadores e dos verdadeiros lutadores e heróis do nosso povo. A cobertura dica delimitada ao Estado do Maranhão – onde o Diário de Luta conta com o apoio e ajuda de milhares de militantes sociais do Fóruns e Redes de Cidadania. O objetivo é fazer ressoar notícias de Movimentos Sociais por todo o território nacional, assim como textos relativos à realidade brasileira. O veículo parte de um compromisso com a imprensa séria, ética e comprometida com os interesses verdadeiros do povo brasileiro.

Logo, não se pretende um jornal imparcial: sim, o Diário de Luta tem lado! E é o lado do povo.

FURO

Furo na geografia é o canal de comunicação entre um rio e seu afluente. No jornalismo, é gol de placa, o fato noticiado em primeira mão. O blog FURO, editado pelo jornalista Rogério Almeida, tem como objetivo ser um canal de comunicação entre as quebradas da Amazônia e o resto do mundo.

Instituto Democracia Popular

O Instituto Democracia Popular (IDP) foi fundado no final de 2013, em Curitiba, a partir do acompanhamento da luta dos moradores do Ribeirão dos Padilhas pela regularização fundiária. Trata-se de mais um dos tantos casos de comunidades cujas vilas (e mesmos bairros inteiros) foram construídos de maneira informal, dadas às dificuldades de acesso à terra urbanizada no mercado imobiliário formal de Curitiba. Com a resistência da comunidade, para qual o IDP colaborou intensamente, deu-se o encontro do trabalhismo com as pautas urbanas.

O ponto de convergência destes dois eixos – trabalho e acesso à cidade – é a defesa de uma democracia participativa e popular. Terra, trabalho e democracia fundaram a identidade e o escopo de atuação do Instituto, que tem como mantenedor o escritório Filippetto Advogados e outras parcerias de financiamento.

Jornal Abaixo Assinado

O jornal Abaixo Assinado, de Jacarepaguá e das Vargens, no Rio de Janeiro, é um veículo de resistência. Instrumento de informação e formação, tem como objetivos estimular e auxiliar a organização e a mobilização dos trabalhadores no seu local de moradia e de trabalho; divulgar experiências comunitárias; debater as lutas e propostas do movimento social; e promover a cultura popular.

Jornal Voz das Comunidades

O Jornal Voz das comunidades – JVC –, como o nome já diz, nasceu para ser porta-voz das experiências comunitárias. Experiências essas que quase não são divulgadas na imprensa comercial (rádio, jornal e TV).

Esse material é ligado ao MCP (Movimento das Comunidades Populares), e tem como objetivo fortalecer as experiências Comunitárias Indígenas, Quilombolas, Camponesas, Operárias (Trabalhadores Urbanos) e da Juventude Popular, ou seja, construir uma Frente Popular a partir do trabalho de base.

O jornal é publicado há mais de 10 anos. A tiragem atual é de 3.500 exemplares. Essa publicação circula nas cinco regiões do país, em mais de 20 estados. Temos colaboradores que surgem nas próprias Comunidades do MCP, e outr@s que, por simpatizarem com a linha editorial vão na prática divulgando o JVC nos seus espaços de atuação. Passam a enviar relatos e até matérias. Fazem distribuição, campanhas e conquistam novos leitores.

A orientação da direção do JVC é organizar grupos de colaboradores nas comunidades, regiões, estados. Na prática, hoje, temos grupos que se reúnem para discutir e encaminhar tarefas do JVC em Pernambuco, Maranhão, Rio de Janeiro e Bahia. Entre colaboradores individuais, permanentes, no último levantamento, chegamos ao número de 35 companheir@aterraeredonda

Jornalismo B

O blog Jornalismo B nasceu em outubro de 2007. Desde lá, com posts diários, busca desconstruir o discurso da mídia dominante, com análises equilibradas e a defesa intransigente da democratização da comunicação.

A pauta fundamental é o fortalecimento da mídia alternativa e a luta pela democracia na comunicação, com o direito à voz estendido a toda a população, encerrando o monopólio discursivo exercido por apenas onze famílias em todo o país. O trabalho é conectado com diversos outros espaços de mídia alternativa.

Em maio de 2010 nasceu o Jornalismo B Impresso, como uma extensão desse projeto, reconstruindo o discurso a partir de uma visão plural, popular e democrática. Com a colaboração de diversos jornalistas, blogueiros e ativistas, construímos um jornal que trata de Política, Mídia, Cultura, História, Meio Ambiente e de outras temáticas ligadas às lutas sociais mais importantes do nosso tempo.

O jornal é financiado socialmente, com o apoio de quem acredita nas lutas que defendemos e quer também atuar em defesa da mídia alternativa.

O Jornalismo B Impresso circula quinzenalmente de forma gratuita em Porto Alegre, e pode ser assinado em qualquer lugar do Brasil, tendo hoje assinantes em quase todas as capitais do país e em diversas cidades do interior. São 500 exemplares a cada quinzena, distribuídos em cafés, restaurantes e centros culturais na região central da cidade, além de todos os campi da UFRGS.

Núcleo Piratininga de Comunicação

O NPC é constituído por um grupo de comunicadores, jornalistas, professores universitários, artistas gráficos, ilustradores e fotógrafos que trabalham com o objetivo de melhorar a comunicação, tanto de movimentos comunitários ou populares, quanto de sindicatos e outros coletivos.

Temos realizado esta tarefa de forma ininterrupta há mais de quatorze anos, principalmente através de cursos, palestras e seminários e produção de materiais de formação e informação.

Acreditamos que os trabalhadores e os setores populares precisam aperfeiçoar-se constantemente em sua comunicação para alcançar seu objetivo de construção de uma nova sociedade. Apresentamos a esses grupos sociais nossos conhecimentos adquiridos por meio da nossa formação específica e da nossa prática social.

As atividades do NPC remontam a 1992 e o acúmulo destas culminou na sua formalização jurídica em 1997, tornando-se uma organização civil sem fins lucrativos, legalmente constituída, com sede no Rio de Janeiro e atuação nacional.

Temos uma estrutura jurídica formada por uma Diretoria e um Conselho de Membros do NPC em vários estados do País (Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Ceará).

A estrutura do NPC possui uma equipe técnica responsável pelo trabalho administrativo. Contamos, também, com uma rede de mais de dez mil parceiros (na maior parte ex-alunos dos nossos cursos) com quem trabalhamos ao longo de nossa trajetória e com os quais estamos em constante contato, inclusive por meio de um boletim quinzenal especializado em comunicação sindical e popular.

Colaboramos, também, estreitamente com várias entidades e movimentos co-irmãos seja realizando ações conjuntas, seja solicitando ou oferecendo apoios pontuais.

Outras Palavras

Lançado em 2009, o site Outras Palavras tornou-se uma referência importante na galáxia da chamada “comunicação compartilhada” ou da “mídia livre”, abordando uma temática pouco presente neste universo: o exame crítico da globalização, as novas culturas políticas da autonomia e os movimentos de ocupação das redes e das ruas. O reconhecimento veio logo, em 2010 o site e as plataformas de redes sociais criadas em torno dele receberam, do Ministério da Cultura o Prêmio Ponto de Mídias Livres.

A linha editorial do site busca avançar naquilo que gostamos de denominar “pós-capitalismo” por um lado frisando a obsolescência das lógicas associadas ao sistema ainda hoje hegemônico (mercantilização da vida, lucro como valor supremo, concentração de riquezas, redução da natureza a “recurso”) e por outro iluminando propostas e alternativas que vem surgindo em todos os planos da vida social.

Com audiência expressiva, cerca de 10 mil textos lidos por dia, o site Outras Palavras reúne um grupo de 200 colaboradores brasileiros e, entre eles, alguns internacionais.

Semanalmente, o boletim de atualização de Outras Palavras seleciona as principais matérias da semana alcançando cerca 20 mil assinantes [assine aqui].

Empenhado em diversificar os formatos de um novo jornalismo compartilhado e colaborativo, desenvolvemos projetos especiais paralelos às publicações diárias, tais como coberturas colaborativas, webdocumentários, Séries especiais (de Política e Desenvolvimento) e a Escola Livre de Comunicação Compartilhada, que promoveu 40 oficinas de formação em midialivrismo, empoderando com ferramental e tecnologia dezenas de jovens para o exercício do jornalismo colaborativo.

Complementando a horizontalidade proposta pelo Blog da Redação, o Outras Mídias é a nossa seleção do melhor da mídia alternativa, é por meio dele que ampliamos o acesso de nossos leitores a um conteúdo de altíssima qualidade e diversidade, reunidos pela curadoria da equipe do Outras Palavras e para aqueles que desejam aprofundar os temas mais caros ao site Outras Palavras, criamos o Outros Livros, uma parceria com o Acervo Antropofágico que traz uma seleção preciosa de títulos do mercado editorial nacional e internacional.

Rádio Classista

A Rádio Classista tem como princípio não divulgar práticas de desrespeito às leis ambientais, às mulheres, crianças, aos jovens, idosos, afrodescendentes, povos indígenas, povos ciganos ou a outros povos e comunidades tradicionais, à população de baixa renda, às pessoas com deficiência, às lésbicas, aos gays, bissexuais, travestis e transexuais, ou que expresse qualquer outra forma de preconceito, religioso ou incentivo ao uso de drogas.

Rádio SindCT

No ar 24 horas por dia, a rádio web do SindCT possui uma programação musical de altíssimo nível, retransmite o Jornal da ONU-Brasil, e mantém um programa de entrevistas ao vivo, que acontece todas as segundas, quartas e sextas-feiras, às 15 horas, com o radialista Paulo Silva.

Rádio Trabalhador

A Rádio Trabalhador apresenta informações sempre do ponto de vista dos trabalhadores, das trabalhadoras e dos movimentos sociais organizados do campo e da cidade. Esse veículo é uma criação da Rede CUT de Comunicação – Goiás.

Século Diário

O Jornal Século Diário foi criado em maio de 2000. Com orientação editorial independente e foco na interpretação dos fatos, o Século Diário é leitura obrigatória para notícias do Espírito Santo.

Terra Sem Males

O Terra Sem Males é um projeto que pratica o jornalismo independente. Queremos uma comunicação popular e acessível para os trabalhadores e trabalhadoras.

Nossa missão é dar voz e visibilidade às populações e povos que são deixadas de lado pelos donos da mídia convencional e atuar na defesa dos direitos humanos e dos trabalhadores.

Lutamos pela democratização da comunicação, para que seja efetivamente uma concessão pública de fato. E incentivamos a criação de novos espaços de comunicadores e comunicadoras populares.

Apostamos na produção de reportagens, sob o ponto de vista dos trabalhadores, com a valorização das imagens como fonte de informação.

Nosso objetivo é ampliar o acesso à comunicação popular. Contamos com uma estrutura que tem: site de notícias, redes sociais e um jornal impresso, que é temático e com distribuição gratuita.

Em 2016 o Terra Sem Males apareceu no Mapa do Jornalismo Independente, da Agência Pública.

Para manter o projeto (site, viagens para reportagens, exposições fotográficas, etc) vendemos fotos, temos espaços publicitários no site e vamos criar um sistema de assinatura. Acreditamos que temos potencial para crescer mais, com qualidade e compromisso. Para isto precisamos da ajuda de vocês, leitores.

Vias de Fato

O Vias de Fato é um jornal de doze páginas, tamanho tabloide, que circula mensalmente no Maranhão.

Vozes das Comunidades

O blog Vozes das Comunidades é alimentado por alunos do Curso de Comunicação Popular do (NPC), que é realizado anualmente no Rio de Janeiro com apoio da Fundação Rosa Luxemburgo. Participam do curso moradores de favelas ou ocupações, militantes sociais diversos, jornalistas, estudantes e demais interessados em construir a comunicação comunitária, aquela que dá voz a quem normalmente não possui espaço nos meios tradicionais. Ao longo do curso aprendemos a importância de construirmos uma mídia contra-hegemônica para construir um mundo mais justo. Também temos aulas práticas de internet, redação, diagramação, edição de vídeos etc.

fonte: https://outraspalavras.net/descolonizacoes/no-wikifavelas-a-potencia-da-comunicacao-popular/

 

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