De café da manhã a cadastros: PT diversifica estratégia para recuperar evangélicos

15.05.2022 08:27 – Congresso em Foco

Em 26 de abril deste ano, o ex-presidente Lula, pré-candidato do PT à Presidência, em entrevista a youtubers, abriu de vez a porta da religião na pré-campanha. Ele afirmou, categoricamente, que o presidente Jair Bolsonaro (PL), seu maior adversário até o momento, “não acreditava em Deus”. A entrada do petista na batalha do voto evangélico – fazendo uma analogia à bíblia, quase uma disputa como a de Davi contra Golias – não será tarefa fácil.

Longe do poder e sem a capacidade de negociar cargos e benesses, o PT não pretende procurar os pastores das “grandes igrejas” – o partido contabilizou 24. Esse ainda não é o momento, avalia. A legenda está seguindo outro caminho, fazendo um “trabalho de formiguinha” buscando diálogo direto com os eleitores cristãos e se aproximando das pequenas e médias congregações. Para essa missão, acredite, foi escalado o pastor Paulo Marcelo Schallenberger, amigo de longa data do pastor e deputado Marco Feliciano (PSC-SP), parlamentar bolsonarista de carteirinha.

O pastor Paulo Marcelo disse em conversa com o Congresso em Foco que um das estratégias são os cafés da manhã realizados com lideranças evangélicas. “No final do mês nós teremos um café com pastores em São Paulo. Lula quer falar com o povo evangélico e com isso eu estou fazendo um cadastro de milhares de líderes evangélicos que são pequenos, de ministérios independentes. Só em São Paulo tem 1 milhão de CNPJs de igrejas independentes”, disse o religioso, que ganhou o status de coordenador de Lula com o segmento.

O pastor Paulo Marcelo é da Igreja Assembleia de Deus e já está na expectativa de contar com o apoio do ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), vice de Lula na chapa presidencial, na interlocução com religiosos. O ex-tucano deverá estar no café da manhã seguinte e será convidado à “dar uma palavra”. Alckmin tem uma boa inserção entre os conservadores do estado, e, católico, comunga de pautas de comportamento com os evangélicos.

“Eu conversei muito com o ex-presidente Lula sobre essas pautas (de valores morais para os evangélicos). O que ele pensa não é nada diferente. Agora, na esquerda tem quem pense diferente”, comentou o pastor. “A vinda de Alckmin é um aceno. O problema hoje é a ignorância das pessoas: de achar que um presidente toma uma decisão sobre o aborto [Lula se posicionou sobre a questão tratando como de saúde pública]. [Essa decisão de legalização] Passa por Congresso, STF… e se passar pelo presidente. Lula nunca foi de extremo-esquerda, sempre foi centro”.

O trabalho do pastor Marcelo começou no final do ano passado. As questões internas do PT – como a mudanças na equipe de comunicação da pré-campanha de Lula – atrasaram produções como a de um podcast que ele produzia e distribuía entre os evangélicos. Tudo deve ser retomado, garante.

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