Influência e contribuição: a igreja católica progressista brasileira e o fórum social mundial

[featured_image]
Download
Download is available until [expire_date]
  • Version
  • Download 125
  • Tamanho do Arquivo 517.79 KB
  • File Count 1
  • Data de Criação 6 de março de 2020
  • Ultima Atualização 6 de março de 2020

Influência e contribuição: a igreja católica progressista brasileira e o fórum social mundial

Desde as suas primeiras edições, muito se escreveu sobre as origens e a evolução do Fórum Social Mundial (FSM) e dos outros Fóruns locais e regionais que se multiplicaram nos últimos anos. Tais origens remontam a ONGs transnacionais, intelectuais franceses, novos movimentos sociais e, mais recentemente, ao movimento antiglobalização da década de 1990 (Mertes 2004). No entanto, pouco ou nada foi dito sobre outro ator direta ou indiretamente envolvido na concepção, organização e evolução dos Fóruns: a Igreja Católica Progressista1. Na medida em que a influência da Igreja não aparece à primeira vista, é preciso voltar aos princípios e às práticas da Teologia da Libertação e da Igreja Católica Progressista para entender plenamente o tipo de influência implícita que a Igreja exerceu sobre o Fórum.

A Igreja Católica Progressista é um conjunto de organizações e indivíduos inspirados pela Teologia da Libertação e engajados em realizar mudanças profundas na Igreja Católica e na sociedade. Ao contrário do que aconteceu em outros países latinoamericanos, no Brasil a Igreja Católica Progressista esteve e está presente em todos os níveis da Igreja. Entre os progressistas encontram-se cardeais, bispos e padres, além de ordens e congregações.

Em muitos sentidos, a Igreja Católica Progressista foi o ator social mais importante do período de formação da sociedade civil brasileira contemporânea. A Igreja Católica Progressista criou, promoveu a apoiou movimentos sociais modernos em todo o Brasil, tanto nos centros urbanos quanto na zona rural. Durante muitos anos - a começar pelo trabalho realizado na constituição das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) nos anos 1960 -, foi a Igreja Católica Progressista que esteve no centro das lutas de pequenos agricultores deslocados/atingidos por barragens, comunidades indígenas, pescadores, trabalhadores urbanos e donas-de-casa das periferias das grandes cidades, em bairros pobres e favelas. Além disso, a Igreja Católica Progressista atuou em comunidades carentes para organizar as pessoas que perderam com a modernização autoritária da economia do país, denunciando publicamente as injustiças sociais na tentativa de influenciar as decisões da elite política brasileira e chamando a atenção internacional para o problema dos direitos humanos no Brasil (Mainwaring 1986; Bruneau 1992).

No presente artigo serão discutidos o grau e as formas pelas quais a Teologia da Libertação e a Igreja Católica Progressista influenciaram a concepção, o caráter, a organização, o conteúdo e a evolução do FSM entre os anos de 2001 e 2005. Também será analisado o modo pelo qual esta influência se distingue daquela de outros atores do FSM. A presente análise baseia-se em pesquisas secundárias, em informações disponíveis no programa do FSM e em entrevistas com líderes e personalidades da Igreja Católica brasileira que participaram e contribuíram para o FSM, tanto em âmbito nacional quanto internacional2.

O tema aqui discutido relaciona-se a um outro, mais amplo, relativo ao lugar e ao papel da reflexão, da fé e dos atores religiosos nas práticas políticas dos movimento altermundialista e de resistência ao sistema capitalista. Embora esta questão geral não seja abordada no presente artigo, pretende-se ao menos aprofundar as implicações maiores da influência da Teologia da Libertação sobre o fenômeno do FSM e dos movimentos sociais que ele abarca.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.