O papel da Congregação das Capuchinhas na formação de classes médias e elites regionais

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  • Data de Criação 6 de março de 2020
  • Ultima Atualização 6 de março de 2020

O papel da Congregação das Capuchinhas na formação de classes médias e elites regionais

Este estudo apresenta parte dos resultados de uma pesquisa que teve como foco as congregações femininas nativas e seus processos de expansão nos estados brasileiros, tema vinculado ao projeto temático “Congregações Católicas, Educação e Estado Nacional no Brasil” (FE/Unicamp). O artigo circunscreve o exame dos impactos da ação educacional capuchinha sobre as classes médias e as elites da cidade de Imperatriz, uma área geográfica de importância histórica para essa congregação e de peso político-econômico para o estado do Maranhão na atualidade.1

A Congregação das Irmãs Missionárias Capuchinhas foi fundada em 1904, em Belém do Pará, por iniciativa de um capuchinho italiano, o frei João Pedro Recalcati, que contou com a adesão de leigas franciscanas que exerciam a função de catequistas e professoras em uma escola paroquial de Canindé (CE). A convite do frade, elas foram para o estado do Pará com o objetivo de constituir o grupo fundador da nova congregação e trabalhar na educação de meninas índias da Colônia Santo Antônio do Prata. Na verdade, elas sucederam às capuchinhas de Gênova (Itália), que haviam sido assassinadas, em 1901, em uma terrível rebelião na Colônia de Alto Alegre (MA), uma missão indígena dos capuchinhos. Esse episódio repercutiu em toda a Igreja do Brasil, a ponto de nenhuma outra congregação enviar freiras para trabalhar nas missões dos capuchinhos naquele período. Além disso, ou por causa desse evento, o governador do Pará solicitou religiosas nativas para a escola feminina da colônia do Prata – os frades dirigiam a escola masculina. Todos esses contextos e tensões da missão indígena favoreceram o surgimento das Irmãs Missionárias Capuchinhas, oitava congregação feminina fundada no Brasil (Custódio, 2014).

Desde suas origens, esse novo “ramo da família franciscana” no Brasil, conforme explicitam as Constituições da Congregação (2004), “aprendeu que a educação formal”, especialmente das “crianças mais necessitadas”, era o “chão de sua missão evangelizadora” (p. 72). Portanto, desde o início do instituto, a missão educativa faz parte de seu carisma, ou seja, da função concreta que cada religiosa desempenha na Igreja e na sociedade. Entretanto, uma ação articulada e ancorada em um projeto pedagógico unificado começou a ser pensada somente nas décadas de 1960 e 1970.

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