“Raça” e pobreza em contextos metropolitanos

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  • Data de Criação 6 de março de 2020
  • Ultima Atualização 6 de março de 2020

"Raça" e pobreza em contextos metropolitanos

O Brasil tem experimentado transformações importantes, propícias a um debate sobre a agenda de estudos das desigualdades em geral e, em particular, das desigualdades raciais. Tais transformações estão associadas a mudanças de caráter estrutural, mas há também ênfase sobre o esforço de enfrentamento das desigualdades via políticas sociais. Sua ampliação e reformulação têm sido extremamente importantes para a configuração de um novo cenário social (Barros et al., 2000).

No que tange às desigualdades raciais, há mudanças recentes visando à sua diminuição, também relacionadas com os efeitos das ações afirmativas. Isso se deve, em grande medida, às políticas sociais, especialmente as de transferência de renda. Entretanto, os avanços até então conquistados ainda são tímidos, uma vez que o patamar inicial sobre o qual ocorrem tais transformações é marcado por alto grau de desigualdade. Estudos que fazem projeções acerca da diminuição da desigualdade racial apontam que será necessário manter esse ritmo de queda durante longo período para que se consolide uma sociedade realmente mais igualitária (Ipea, 2008).

O presente artigo toma esse cenário como pano de fundo e se propõe a realizar duas tarefas. Em primeiro lugar, produzir uma reflexão sobre o campo de estudos de desigualdades raciais, reafirmando a importância de uma análise articulada entre raça e classe, baseada na literatura e nas mudanças recentes. Por fim, procura relacionar os estudos das desigualdades raciais e aqueles sobre pobreza e segregação, tentando responder em que medida a variável raça é relevante para investigações que têm como foco o fenômeno da pobreza metropolitana. Para isso, analisa os dados de dois surveys - realizados em Cidade Tiradentes, no município de São Paulo, e no Bairro da Paz, em Salvador - no âmbito da pesquisa "Associativismo e redes sociais: condições e determinantes de acesso a políticas sociais pela população de baixa renda"1. O eixo norteador desta investigação é a análise dos mecanismos de produção e reprodução da pobreza em contextos metropolitanos, com ênfase não somente aos aspectos econômicos, mas também políticos, culturais e de sociabilidade. Em seu questionário, foram incluídas questões específicas relacionadas com situações de moradia, condições e determinantes de acesso a serviços coletivos pela população de baixa renda, mercado de trabalho, papel das redes sociais, da religião e do associativismo. Embora não tenham sido incluídas questões específicas sobre relações raciais, o intuito desta proposta de análise é justamente testar a variável raça em algumas das situações investigadas.

 

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