Em vídeo, Tereza Campello explica como Bolsonaro abandonou 29 milhões de famílias

  • por PT Brasil em 23 de novembro de 2021

Ex-ministra detalha como, ao acabar de uma só vez com o Bolsa Família e o auxílio emergencial, Bolsonaro promoveu a maior exclusão social da história do País

Uma das pessoas mais dedicadas a denunciar a exclusão social em massa promovida pelo governo de Jair Bolsonaro, que  acabou ao mesmo tempo com o auxílio emergencial e o Bolsa Família, a ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome Tereza Campello gravou para a TVPT um vídeo no qual explica como o atual presidente abandonou à própria sorte mais de 29 milhões de famílias (assista abaixo).

No vídeo, Tereza mostra que, a partir deste mês, passou a existir apenas o Auxílio Brasil, que atende 14,5 milhões de famílias. Porém, até outubro passado, eram 43,9 milhões de famílias com algum tipo de ajuda contra a fome – 39,3 milhões que recebiam o auxílio emergencial (sendo que, dessas, 10 milhões eram oriundas do Bolsa Família) mais 4,6 milhões que permaneceram no Bolsa Família porque seus benefícios eram maiores que o máximo pago pelo auxílio emergencial em 2021 (R$ 375).

A conta é simples. Basta subtrair o total de beneficiários até outubro (43,9 milhões) do total de beneficiários do Auxílio Brasil em novembro (14,5 milhões) para se chegar ao total de 29,4 milhões de famílias abandonadas.

Ex-ministra Tereza Campello denuncia os objetivos e as consequências nefastas do Auxílio Brasil
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PT identificou onde está a maioria dessas famílias

A partir de dados do próprio governo federal, a assessoria técnica do Partido dos Trabalhadores conseguiu identificar onde vive a maior parte desses excluídos por Bolsonaro. Cruzando os dados do total de benefícios pagos pelo auxílio emergencial em outubro e pelo Auxílio Brasil em novembro, mostramos em que cidade do país vivem 24,8 milhões dessas famílias (acesse aqui as tabelas).

O Mapa da Exclusão completo (incluindo as 4,6 milhões de famílias que continuaram recebendo o Bolsa Família durante a vigência do Auxílio Emergencial) será concluído quando o PT tiver acesso a todos os dados, o que já foi solicitado pela presidenta nacional do partido, deputada federal Gleisi Hoffmann.

Cortes sem estudo prévio

Tereza Campello denuncia que o governo eliminou o benefício desses milhões de brasileiros sem dar nenhum tipo de orientação, o que gerou filas de pessoas nas agências bancárias de várias cidades. “São mais de 29 milhões de famílias que foram completamente excluídas, sem nenhuma informação, sem nenhuma orientação e sem que ninguém tivesse tentado saber se essas famílias continuam precisando. Como se a pandemia tivesse terminado, como se a economia estivesse bem e como se essas famílias tivessem voltado à sua vida normal. E a gente sabe que não foi isso que aconteceu”, afirma.

A ex-ministra ressalta ainda que o governo Bolsonaro não fez nenhum levantamento da situação das famílias excluídas. “Não tentou sequer saber se essas famílias tinham encontrado emprego, se essas famílias continuavam na informalidade, se essas famílias tinham o que comer em novembro, dezembro, janeiro… Essas famílias foram simplesmente excluídas”, denuncia.

E pior: o critério de exclusão foi uma espécie de pegadinha perversa, pois as famílias abandonadas foram aquelas que haviam se inscrito no aplicativo do auxílio emergencial. Ao criar o Auxílio Brasil, o governo Bolsonaro só manteve aquelas famílias que estavam no Cadastro Único, eliminando automaticamente os inscritos no auxílio emergencial.

fonte: https://www.brasilpopular.com/em-video-tereza-campello-explica-como-bolsonaro-abandonou-29-milhoes-de-familias/

“População pobre vai viver insegurança não só em 2022, mas em 2023”, alerta Tereza Campello

Auxílio Brasil segue no alvo de especialistas que apontam estatística de cerca de 29 milhões de pessoas desassistidas.

A reportagem é de Cristiane Sampaio, publicada por Brasil de Fato, 23-11-2021.

Especialistas que lidam com o tema da pobreza seguem manifestando preocupação com as características e a metodologia do Auxílio Brasil, programa que sucedeu o Bolsa Família e que está na segunda semana do pagamento da primeira parcela.

A ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome Tereza Campello disse que a política do governo Bolsonaro joga a população mais vulnerável em um período de desassistência que vai além do próximo ano.

“14,5 milhões de famílias receberam esse novo e provisório programa Auxílio Brasil. Então, nós tínhamos quase 44 milhões de famílias recebendo auxílio emergencial ou Bolsa Família e, neste mês, 14,5 milhões de famílias apenas recebendo o [novo] benefício. Isso significa que 29 milhões de famílias foram excluídas”, destaca a economista, ao dizer que o governo fez “um corte raso” e sem critérios.

“Elas foram excluídas sem que qualquer avaliação fosse feita. Essas famílias foram excluídas sem que ninguém avaliasse se elas continuam precisando, se elas estão passando fome, se elas conseguiram arranjar emprego ou não”, acrescentou.

O governo prevê o encerramento da nova política para o final do ano que vem. A dinâmica difere do que era feito com o Bolsa Família, que foi executado durante 18 anos como programa permanente de transferência de renda.

“[Ela] deixa milhões de brasileiros completamente desassistidos a partir do ano que vem e submete ainda as famílias pobres a uma situação de insegurança total. A gente sempre fala muito em segurança para o mercado, mas a população pobre, que hoje vive uma insegurança alimentar gravíssima, vai viver uma insegurança, não só para 2022, mas também para 2023”, projeta Campello.

A ex-ministra também disparou críticas contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC23/2021, a chamada “PEC dos Precatórios”. A medida está em discussão no Senado, onde Tereza Campello participou de um debate na segunda (22), e pode ser votada nesta quarta (24) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). 

Veja também

httpv://www.youtube.com/watch?v=embed/UHmjRMB7Akw

 

Rota de fuga

PEC é apontada pela gestão Bolsonaro como saída para financiar parte dos R$ 400 liberados pelo Auxílio Brasil. O texto propõe um adiamento no pagamento dos precatórios a serem pagos pela União em 2022 para liberar uma brecha fiscal que ajude no custeio do programa, cuja verba extrapola o Teto de Gastos em R$ 100 para cada benefício pago.

A proposta é polêmica e enfrenta resistência de diferentes grupos, não só da oposição, porque, entre outras coisas, oficializa o descumprimento de decisão judicial. Ao reforçar o coro dos críticos, Tereza Campello disse aos senadores, nesta segunda, que a medida também não enfrenta o desafio gerado pelo encerramento do auxílio emergencial. As últimas parcelas foram pagas no final de outubro, assim como as do Bolsa Família.

“A proposta do governo não só não resolve os reais problemas que temos que enfrentar hoje no Brasil como acaba criando uma sorte de outros problemas”, afirmou a ex-ministra, ao mencionar que o texto se trata de “um subterfúgio para salvar o Teto de Gastos” e evitar a revisão do ajuste fiscal.

 

Desalento

Na mesma sintonia, a Rede Brasileira de Renda Básica (RBRB) também manifesta preocupação com a conduta do governo diante da área de assistência social. A diretora de Relações Institucionais da entidade, Paola Carvalho, realça que a desassistência aos cerca de 29 milhões que agora estão sem benefício se soma ao cenário de desemprego e alta do custo de vida no país.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país fechou o trimestre que se encerrou em agosto com taxa de 13,2% de desemprego. Há cerca de 13 milhões de pessoas em busca de emprego no território nacional.

Neste contexto, o Brasil amarga a maior taxa de desemprego entre os países que integram o G20, aqueles considerados mais ricos do planeta, além de ter o quarto pior índice entre as principais economias do globo. O dado é da Austin Rating, agência de classificação de risco que organiza um ranking com base na situação de mais de 40 países.

O cenário de inflação também tem chamado a atenção dos brasileiros. Dados do IBGE do final de outubro mostram os 12 meses anteriores registraram alta de 12,54% no preço dos alimentos, por exemplo. Considerando o período de pandemia, o aumento chegou a 21,39%.

Para a Rede Brasileira de Renda Básica, neste contexto, a consequência direta da redução do alcance das políticas de assistência será o aumento da miséria e da pobreza no país. Para Paola Carvalho, há uma “situação de invisibilidade” da população de mais baixa renda: “Essa é uma realidade muito dura de fome e de miséria que a gente está passando e que o governo finge não ver”.

“E, se vê, procura enganar a população [com a ideia] de que esse tipo de atendimento do Auxílio Brasil vai garantir o mínimo de dignidade à população brasileira. Nós temos uma situação, do ponto de vista da sobrevivência, que é muito grave.”

Um estudo divulgado em abril deste ano pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Universidade de São Paulo (USP), mostrou o impacto do auxílio emergencial nas faixas de pobreza e extrema pobreza. Os pesquisadores observaram que, em 2020, primeiro ano da política, a taxa de brasileiros na pobreza baixou de 25% para 20%. Na ausência das parcelas do auxílio, a equipe projetou que o índice tende a saltar para 30%.

 

Leia mais 

fonte: http://www.ihu.unisinos.br/614715-populacao-pobre-vai-viver-inseguranca-nao-so-em-2022-mas-em-2023-alerta-tereza-campello