NOTA PÚBLICA: “Eleições e manipulação religiosa”

“Eleições e manipulação religiosa”

 

“Jesus Cristo nunca convidou a fomentar a violência ou a intolerância.

Ele próprio condenava abertamente o uso da força para se impor aos outros”.

(Papa Francisco, Fratelli Tutti, 238)

 

O discurso supostamente religioso com fins eleitorais passou a ser uma característica marcante nas últimas eleições. Com narrativas enviesadas, oportunistas e produtoras de sentimentos carregados de interesses que não se revelam, avança uma agenda falsamente religiosa conectada ao neoliberalismo excludente e com traços de reacionarismo moral, que promove a intolerância e estimula discursos de ódio.

A utilização da religião, notadamente do cristianismo, tem caracterizado a nova extrema-direita global, como revelou recentemente o vaticanista Iacopo Scaramuzzi no livro intitulado “Dio? In fondo a destra – perché i populismi sfruttano il cristianesimo” (em tradução literal, “Deus? No fundo à direita – porque os populismos exploram o cristianismo”), cuja capa estampa quatro dos principais expoentes desse fenômeno: Salvini, Trump, Bolsonaro e Putin.[1]

Observamos que líderes políticos voltaram a utilizar o lema integralista, “Deus, pátria e família”, com o objetivo de mobilizar grupos religiosos ultraconservadores e fundamentalistas. O integralismo se constituiu no Brasil a partir da década de 1930 como uma espécie de “fascismo à brasileira”, com movimentos de viés religioso, e foi essencial na construção de uma base social para o golpe empresarial-militar de 1964.

O apoio do Presidente da República a grupos católicos ultraconservadores tem ocupado espaço significativo na mídia e na pauta política. É uma agenda que articula vários movimentos fundamentalistas e bandeiras discursivas contra o comunismo, a teologia da libertação, a CNBB por sua atuação na Igreja e na sociedade, os “bispos comunistas”, o Papa Francisco etc.

Há uma aliança tácita da extrema direita pentecostal (protestante e católica) que tenta dominar e capturar o discurso cristão para fins de manipulação do Estado e da sociedade, sem nenhum propósito que se identifique com o Evangelho e ao seguimento de Jesus.

A presença do Presidente em celebrações religiosas católicas (como no Cristo Redentor, no Rio, e na missa no Santuário São Miguel Arcanjo, em Bandeirantes, no Paraná) para citar alguns atos recentes deixam claro o objetivo de mobilização de grupos católicos com fins meramente eleitoreiros, sem nenhum compromisso do Chefe da Nação com uma pauta ética que sinalize mudanças numa agenda governamental marcada nos últimos três anos por políticas geradoras de morte, destruição da Casa Comum, precarização das políticas sociais e criminalização dos movimentos sociais e das instituições republicanas.

Frente à insistente utilização da religião com objetivos politiqueiros, é preciso que as autoridades eclesiásticas se posicionem contra quaisquer lideranças políticas que, nas eleições de outubro, usam da religião para fins meramente eleitorais, sem que assumam compromissos com a ética cristã, resumida na máxima de Jesus: “eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10, 10).

Brasília/DF, 21 de abril de 2022.

CBJP – Comissão Brasileira Justiça e Paz

Observatório de Comunicação Religiosa

CRB Nacional – Conferência dos Religiosos do Brasil

CJP-DF – Comissão Justiça e Paz de Brasília

NESP – PUC Minas – Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas

CNLB – Conselho Nacional do Laicato

CEFEP – Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara

Pastoral do Turismo no Brasil

Pastoral Carcerária Regional Oeste I (MS)

Observatório da Evangelização PUC Minas

CPM – Conselho da Pastoral do Migrante

Centro de Defesa dos Direitos Humanos CDDH BETIM, MG

Comitê Arquidiocesano de Bioética da Arquidiocese de Belo Horizonte, MG

Movimento Fé e Política de Três Rios – RJ

HOCOUNO – Associação da Horta Comunitária União dos Operários – Canoas, RS

Construindo o Poder Popular (OPA) – Aracati, CE

Escola de Formação em Fé e Política da Arquidiocese de Montes Claros, MG

Escola de Formação Fé e Política – Tubarão, SC

Vicariato Pastoral para Ação Social e Caridade – Feira de Santana, BA

Projeto Sou Barbarense – Santa Bárbara, BA

Cáritas Diocesana de Propriá, SE

Centro de Estudos Bíblicos – CEBI Nacional

Comissão Diocesana Justiça e Paz de Barreiras, BA

Movimento Focolare – Coração de Maria, BA

Pastoral da Educação/FEPERO/Concidade – Porto Velho, RO

Província das Irmãs de São José de Chambery no Brasil

Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição

Centro de Estudos Bíblicos – CEBI-ES

Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental – SARES, Manaus, AM

Movimento Tapajós Vivo – Santarém, PA

Justiça e Paz e Integridade da Criação do Verbo Divino

Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil

Pastoral da Educação/As Mariinhas – Mulheres em Ciranda – São Paulo, SP

Movimento Focolare – Santa Bárbara, BA

Assessor do Pilar da Caridade da Paróquia N. Sra. do Livramento, de Trairi-CE.

ALC Notícias, Buenos Aires, Argentina

Comissão de Promoção da Dignidade Humana (CPDH), Arquidiocese de Vitória, ES

Comissão de Direitos Humanos na Arquidiocese de Vitória

Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Pastoral Catequética – Santa Bárbara, BA

Sindicato dos Bancários de Umuarama, Assis Chateaubriand e Região, PR

GTP + – Grupo de Trabalhos em Prevenção PositHIVo – Recife, PE

Escola de Fé e Política Waldemar Rossi – São Paulo, SP

Grupo de Trabalho pró-Comissão Justiça e Paz, Arquidiocese de Campinas, SP

Coletivo Mães Eficientes Somos Nós – Serra, ES

Pastoral Carcerária Diocese de Três Lagoas, MS

Pastoral da Caridade – João Pessoa, PB

CDDH – Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Serra, ES

6ª Semana Social Brasileira

Terreiro da Vó Benedita – Campinas, SP

ACAT BRASIL Ação dos Cristãos pela Abolição da Tortura

Cunhã Coletivo Feminista, Paraíba

Comissão Regional de Justiça e Paz – Mato Grosso do Sul

Coletivo de Mulheres Casa Lilás – Recife, PE

Comissão Justiça e Paz, Integridade da Criação do Instituto Missões Consolata

OFS – Ordem Franciscana Secular – Bom Despacho, MG

CONERES – Conselho de Ensino Religioso do Espírito Santo

Escola de Formação fé-Política Dom Ladislau Biernaski – Curitiba, PR

Curso de Teologia para Agentes de Pastoral Região Episcopal Lapa – São Paulo, SP

PUC-Campinas

MOC – Movimento de Organização Comunitária – Feira de Santana, BA

Escola de Comunidades Diocese de Nova Friburgo RJ

CEBs Regional Norte 1 Amazonas e Roraima

Igreja Cristã Carioca

Coletivo de Espíritas pelos Direitos Humanos

Caritas Brasileira

Comitê Popular Saúde – Goiânia, GO

Paróquia Nossa Senhora do Carmo Itaquera – São Paulo, SP

Comissão Pastoral da Terra

Rede Um Grito pela Vida (Rede de combate ao tráfico de pessoas)

Fraternidade Leiga Dominicana

Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas, Comunidade de Goianira, GO

Serviço Pastoral dos Migrantes

Pastoral do Povo da Rua

Movimento dos atingidos por Barragens MAB

TSS Teatro Solidão Solidária/Goiás

ISER ASSESSORIA

Pastoral da Pessoa Idosa

Pastoral Operária ES

Comissão Diocesana para a Ação Sociotransformadora – Pesqueira, PE

Pastoral Fé e Política da Região Episcopal Lapa – São Paulo, SP

Congregação de São Pedro Ad Vincula – Goiânia, GO

Pastoral do Povo de Rua – Palhoça, SC

Igreja Batista em Coqueiral – Recife, PE

Pastoral Carcerária Nacional

Cáritas Rainha da Paz – Abaetetuba, PA

Movimento interreligioso SP

Pastoral Fé e Política da Diocese de Campo Limpo, SP

Cáritas Diocesana de Nova Friburgo, RJ

Articulação Comboniana de Direitos Humanos

FAOR – Fórum da Amazônia Oriental – Belém, PA

Pastoral do Povo da Rua no RN

Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos-CEBI-CE

Movimento Nacional População de Rua-MNPR

PI-BRASIL Plataforma Pessoas Idosas

Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas – Ibase

MNPR no Rio Grande do Norte

Fenatrad – Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas

Ilê Ase Omi Arin Ma Sun – Caucaia, CE

Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político

Comissão Justiça e Paz da Diocese de São José do Rio Preto – SP

NUPESS – Núcleo de Pesquisa sobre Políticas Públicas e Espaços Públicos e Serviços Sociais/UFF

FDSN – Frente em Defesa da Democracia e Soberania Nacional de Assis-SP

Ordem Franciscana Secular/ Regional Minas Gerais

Associação / Espaço Terapêutico TEIA DE GENTE – Limoeiro do Norte, CE

Irmãs de Jesus Missionário (IJM)

Coral Mater Vocem – Macaé, RJ

Associação Nacional Vida e Justiça em Apoio e Defesa dos Direitos das Vítimas da Covid-19

Rede Celebra – Núcleo Rio das Ostras, RJ

Católicas pelo Direito de Decidir

ReUniR – Rede Unidade e Resistência, Porto Alegre, RS.

Conselho Nacional do Laicato do Brasil – Regional Sul 1 (SP)

Sociedade Fé e Vida, Cáceres, MT

Escola Arquidiocesana de Fé e Política Pe Antônio Henrique – Olinda e Recife, PE

Ação Ecumênica de Mulheres, SP

Campanha SUS Forte e Vacina para todos, SP

Núcleo EsPeRe – Escola do Perdão e Reconciliação – Pesqueira, PE

Missionarias de Maria – Xaverianas comunidade Belém, PA

Cáritas Brasileira Regional Ceará

Clarissas Franciscanas Missionarias do Santíssimo Sacramento, Belo Horizonte, MG

Movimento Igreja em Saída, Fortaleza, CE

Escola Fé e Política de Ji-Paraná, RO

[1] Veja em: https://theintercept.com/2020/07/27/entrevista-direita-populista-usa-cristianismo-para-criar-sentido-comum-e-respeitabilidade/.

 

Baixe o arquivo na Biblioteca Marina Bandeira em

NOTA PÚBLICA: “Eleições e manipulação religiosa”  

 

Brasile: organismi ecclesiali, “no alla manipolazione della religione in campagna elettorale”

“Il presunto fattore religioso con finalità elettorali è diventato un aspetto sorprendente nelle ultime elezioni. Con narrazioni parziali e opportunistiche, che producono sentimenti carichi di interessi non rivelati, avanza un’agenda falsamente religiosa, collegata al neoliberismo escludente e con tracce di morale reazionaria, che promuove l’intolleranza e incoraggia l’incitamento all’odio”. La denuncia arriva da un documento, elaborato in vista della campagna elettorale per le presidenziali, firmato da oltre 120 organismi e associazioni ecclesiali del Brasile. Tra questi, in qualità di promotori, la Commissione brasiliana Giustizia e Pace, l’Osservatorio di comunicazione religiosa, la Conferenza dei religiosi del Brasile. Tra i firmatari, altri organismi vincolati all’episcopato brasiliano, come la Caritas, la Pastorale della terra, la Pastorale del popolo di strada, il Consiglio nazionale del laicato, ma anche congregazioni religiose e organismi di singole diocesi. Il documento cita espressamente il libro del giornalista italiano Iacopo Scaramuzzi “Dio? In fondo a destra – Perché i populismi sfruttano il cristianesimo”.

“Abbiamo osservato che i leader politici sono tornati a usare il motto integralista, ‘Dio, patria e famiglia’, con l’obiettivo di mobilitare gruppi religiosi ultraconservatori e fondamentalisti”, si legge nel documento, che ricorda il precedente degli anni ’30 del ventesimo secolo, quando l’integralismo religioso fu centrale nel creare il cosiddetto “fascismo alla brasiliana” e la base sociale per la successiva dittatura militare. Inoltre, si fa presente l’appoggio di gruppi di ultra-destra e della galassia pentecostale all’attuale presidente Bolsonaro, per quella che viene chiamata “una manipolazione dello Stato e della società”. Prosegue il documento: “La presenza del presidente nelle celebrazioni religiose cattoliche (come al Cristo Redentore, a Rio, e alla messa al santuário di São Miguel Arcanjo, a Bandeirantes, Paraná), per citare alcuni atti recenti, chiarisce l’obiettivo di mobilitare gruppi cattolici a mero scopo elettorale, senza alcun impegno del capo della Nazione per un approccio etico che mostri dei cambiamenti rispetto a un’agenda di governo segnata negli ultimi tre anni da politiche che generano morte, distruzione della Casa comune, precarietà delle politiche sociali e criminalizzazione dei movimenti sociali e delle istituzioni repubblicane. Di fronte all’uso insistente della religione a fini politici, è necessario che le autorità ecclesiastiche prendano posizione contro i leader politici che, alle elezioni di ottobre, utilizzino la religione per fini meramente elettorali”.

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