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    Lançada a Campanha de Autoproteção de Comunidades e Lideranças Ameaçadas

     

    19 de junho de 2020

    Com o objetivo de promover e fortalecer mecanismos de defesa e autoproteção de comunidades e lideranças ameaçadas e/ou criminalizadas por estarem afirmando seu direito à vida e ao território na região Amazônica foi lançada nesta quinta-feira (18), a Campanha de Autoproteção de Comunidades e Lideranças Ameaçadas: A vida por um fio!

    “Temos que cuidar da vida humana e de toda a criação. A Campanha A Vida por Um Fio é em defesa da vida das pessoas em todo o país, e em especial da Amazônia”, destacou o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Ação Sociotransformadora da CNBB, Dom Valdeci Santos na live de lançamento realizada pelo canal do Youtube da REPAM-Brasil.

    Também participaram da mesa de abertura, o bispo  emérito do Xingu, vice-presidente da REPAM-Brasil e membro da Comissão Episcopal Especial para a Amazônia, Dom Erwin, o deputado federal e presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), Helder Salomão, e o procurador regional da República, Felício Pontes.

    O bispo emérito do Xingu, que é uma liderança ameaçada na Amazônia, destacou a importância da campanha e do quanto iniciativas como essa podem contribuir na garantia da vida de tantas pessoas nos territórios. “Nós somos chamados a doar nossa vida para que essas irmãs e esses irmãos que precisam tanto de nós, possam viver”, pontuou Dom Erwin.

    O deputado e presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), Helder Salomão, aproveitou a oportunidade para denunciar que o “Brasil é o único país que em plena pandemia ameaça a florestas e os povos tradicionais”. E ainda compartilhou: “Essa semana fiz mais uma denúncia à ONU sobre o racismo e a criminalização das comunidades negras no Brasil. A Campanha A Vida Por um Fio vem no momento oportuno da nossa conjuntura e é um sinal de esperança, pois muitas vidas estão por um fio”, disse o parlamentar.

    A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura/CONTAG é uma das organizações da sociedade civil que participa da articulação da campanha. Carlos Augusto Silva, Secretário de Formação e Organização Sindical da organização, participou da mesa de abertura da campanha e falou da importância da formação no processo da campanha. “A CONTAG, Federações e Sindicatos filiados abraçam e fortalecem a Campanha A Vida Por Um Fio, pois entendemos que defender as lideranças, comunidades, reservas e territórios é missão nossa! Acreditamos que juntos podemos garantir proteção à essas pessoas da região Amazônica que estão ameaçadas pelo agronegócio e pelas mineradoras que têm causado grandes problemas de ordem social, ambiental e econômica. Vamos usar nossos instrumentos de formação e de comunicação no sentido de consolidar a Campanha A Vida Por um Fio!”, destacou.

    O ato de lançamento contou, ainda, com uma mesa que trouxe as motivações e apresentação da Campanha de Autoproteção de Comunidades e Lideranças Ameaçadas. Membros das instituições que compõem o coletivo que organiza a campanha tiveram oportunidade de fala ou conduziram os momentos de apresentação da campanha.

     

    Com informações da Comunicação CONTAG 

     

    fonte: http://repam.org.br/?p=4851


     

    Conheça a campanha A vida por um fio

     

    Será lançada na próxima quinta-feira, dia 18 de junhopor meio de plataforma virtual, a Campanha de Autoproteção de Comunidades e Lideranças Ameaçadas: A vida por um fioCom a proposta de fortalecer articulações, consolidar processos já em curso, dar ampla visibilidade à gravidade e à intensificação da violência contra quem defende os direitos socioambientais, alcançar da forma mais capilar possível as comunidades expostas a situações de risco e ameaças para que se organizem e protejam seus membros, preservando a memória ancestral e das lutas de resistência, a iniciativa é organizada por uma série de organizações da sociedade civil e da Igreja Católica.  

    Também faz parte da proposta alcançar de forma mais capilar as comunidades expostas a situações de risco e ameaças para que se organizem e protejam seus membros, preservando a memória ancestral e das lutas de resistência, a iniciativa é organizada por uma série de organizações da sociedade civil e da Igreja Católica.   

    Participam do lançamento da campanha representantes da Conferência dos Bispos do Brasil, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Ação Sociotransformadora da CNBBDom José Valdeci Santos Mendeso subprocurador geral da República, Antônio Carlos Bigonha; representantes da Comissão Pastoral da Terra, do Conselho Indigenista Missionário, da Rede Eclesial Pan-Amazônica/REPAM-Brasil e das organizações como o Centro Popular de Formação da Juventude – Vida e Juventude, Sociedade Maranhense de Direitos Humanos/SMDH, Movimento Nacional dos Direitos Humanos/MNDH e Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura. 

    Agendada para ser lançada no mês de março, a campanha precisou ser adiada por causa do avanço do novo coronavírus. Viagens foram suspensas e o seminário de formação dos multiplicadores da campanha nos territórios foi transferido para uma plataforma virtual. Hoje participam mais de 100 lideranças das comunidades, que irão multiplicar nos territórios as ações de “A vida por um fio”. A data escolhida para o lançamento, neste mês de junho, coincide com os 5 anos da publicação da Encíclica Laudato Si’, do papa Francisco, que trata do cuidado com a casa comum, o território e os povos que nela habitam. 

     

    A CAMPANHA 

    Campanha de Autoproteção de Comunidades e Lideranças Ameaçadas, A vida por um fionasceu de um diálogo promovido pela REPAM-Brasil, Comissão Episcopal Especial para Amazônia e Comissão das Pastorais Sociais da CNBB com entidades que atuam na proteção de lideranças e comunidades ameaçadas pela sua atuação e militância na defesa dos Direitos Humanos, da natureza e de seus territórios cobiçados. Em agosto de 2019, em Belém (PA), durante o Encontro de bispos brasileiros em preparação para o Sínodo, a Campanha foi aprovada por unanimidade pelos presentes. 

    Esta é a primeira ação após a realização do Sínodo para a Amazônia, ocorrido em Roma, em outubro de 2019, com o tema “Amazônia: Novos Caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral”. A realidade das comunidades e lideranças ameaçadas foi um dos clamores que sobressaiu nas múltiplas consultas realizadas na região, como se expressa no Documento Final do Sínodo: “É escandaloso que líderes e até comunidades sejam criminalizados, simplesmente pelo fato de reivindicarem seus próprios direitos (DF, 69). 

    De acordo com dados da Comissão Pastoral da Terra/CPT, de 1985 a 2019, foram assassinadas 1.973 pessoas no campo, sendo que apenas 122 casos foram julgados, com número insignificante de condenados, ou seja, 35 mandantes e 106 executoresEm 2018, em 73,5% dos casos de conflito de terra e água em todo o Brasil predominou a violação de direitos às populações tradicionais. 

    Mais visível vai sendo a presença das mulheres nos conflitos no campo, uma vez que são também elas, quase sempre, quem sustenta a resistência de suas famílias e comunidades nos territórios ameaçados. Uma constatação importante é de que a violência no campo é seletiva, atingindo diretamente as lideranças dos movimentos e comunidades, com a finalidade clara de barrar a luta por direitos à terra, território, água e outros. A autoproteção por mecanismos não violentos é, todavia, uma das estratégias que trabalha com a independência e a autonomia das lideranças e das organizações, sendo construída com ativa participação dos(as) envolvidos(as). 

    A Campanha terá abrangência nacional, priorizando nesta primeira etapa o contexto amazônico, os conflitos e a violação de direitos no campo e na floresta. Além das entidades já mencionadas acima, participaram desde as primeiras reuniões o OLMA – Observatório Socioambiental Luciano Mendes de Almeida; Pastoral Carcerária Nacional; Centro Popular de Formação da Juventude – Vida e Juventude; a CPP – Comissão Pastoral dos Pescadores; IAC – Instituto Agostin CastejonCEFEP – Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara; Cáritas Brasileira; CBJP – Comissão Brasileira Justiça e Paz; e a CRB Nacional – Conferência dos Religiosos do Brasil. 

     

    OBJETIVOS DA CAMPANHA 

    A Campanha de Autoproteção de Comunidades e Lideranças Ameaçadas está organizada em três eixos: 

     

    • 1.Promover e fortalecer mecanismos não violentos de defesa e autoproteção de comunidades e lideranças ameaçadas e/ou criminalizadas por estarem afirmando seu direito à vida e ao território, e os direitos da Mãe-Terra; 
    • 2.Denunciar em nível nacional e internacional a difusão da cultura do ódio, as ameaças e a impunidade em contextos de conflitos socioambientais, bem como as recentes políticas de desmonte dos direitos adquiridos pelos povos e comunidades, e de retrocessos em Direitos Humanos; 
    • 3.Defender e promover eficazes políticas públicas de proteção a comunidades e lideranças ameaçadas por sua luta em defesa dos Direitos Humanos, seus Territórios tradicionais e pelos direitos da Mãe-Natureza.

    Confira o release em outros idiomas:

    RELEASE INGLÊS

    RELEASE FRANCÊS

    RELEASE ESPANHOL

     

    SERVIÇO 

    Atividade: Lançamento da Campanha de Autoproteção de Comunidades e Lideranças Ameaçadas 

    Quando: 18 de junho de 2020 

    Horário: 16h 

    Local: Youtube 

    Contatos 

    • Paulo Martins – assessor de imprensa da REPAM-Brasil: 61- 98595.5278 
    • Mário Manzi – assessor de imprensa da CPT Nacional: 62 - 62 9252.7437 
    • Barack Fernandes – assessor de comunicação da CONTAG: 61- 98283.0006