Notas Públicas

    Camponês é covardemente assassinado por pistoleiros em Rondônia. Foto: Resistência Camponesa

    No dia 15 de abril, um camponês da área Tiago dos Santos chamado Jerlei foi assassinado por pistoleiros a mando do latifúndio na linha 29 em frente a fazenda do Zezin Marafaia, em Nova Mutum-Paraná, Rondônia.

    O covarde assassinato ocorreu por volta das 15 horas quando o camponês estava em sua moto na linha 29, a caminho de União Bandeirantes e foi interceptado por uma caminhonete L200 Triton branca e uma motocicleta Lander de cor alaranjada. Após a abordagem, os pistoleiros dispararam diversos tiros de pistola, calibre 40, na cabeça do trabalhador quando este já estava de joelhos. Os assassinos roubaram ainda o celular e a moto de Jerlei.

    De acordo com denúncia feita pela comissão dos camponeses da área, o crime ocorreu a mando do latifúndio Santa Carmen e Boi Sossego.

    Os camponeses afirmam também em meio a denúncia que Jerlei viveu toda sua vida como camponês, era trabalhador e vivia do suor de seu trabalho. O camponês deixa esposa, filhos e muitos companheiros que o amavam.

    “A morte do companheiro Jerlei não ficará esquecida, será lembrada por seus familiares e companheiros de luta. Não será em vão o sangue derramado do companheiro Jerlei, quem o matou vai pagar”, declaram os camponeses.

    A área Tiago dos Santos é marcada em seu histórico de existência por uma grandiosa resistência. Em outubro de 2020, o latifundiário grileiro Antônio Martins dos Santos (o “Galo Velho”)  em conluio com o velho Estado atacou a área, onde viviam mais de 2,4 mil camponeses. Na ocasião, torturaram camponeses pela estrada, cercaram o acampamento disparando tiros sobre quem estivesse no caminho, impediram a entrada de alimentos e até mesmo leite para crianças residentes do local, sobrevoaram de helicópteros sobre a região jogando cápsulas de calibre 380 para tentar incriminar os camponeses, preparando o cenário para um massacre camponeses. Por fim efetuaram um violento despejo e prenderam camponeses e apoiadores. 

    Durante o despejo, as massas erguiam com vigor as bandeiras da LCP e proclamavam palavras de ordem contra o latifúndio. Uma campanha à nível internacional foi desencadeada o que impediu um trágico desfecho. E no mesmo mês, 300 famílias reocuparam a área e outras mais seguem retomando a terra.

    Recentemente um novo ataque foi feito contra os camponeses da área, quando policiais ameaçaram e torturaram trabalhadores em um “bolicho” (pequeno comércio) localizado em uma das estradas que dá acesso à área.

    Leia mais: RO: Militares torturam camponeses do Acampamento Tiago dos Santos

     

    fonte: https://anovademocracia.com.br/noticias/15576-campones-da-area-tiago-dos-santos-e-assassinado-por-pistoleiros