Foto tirada durante a guerra da Alemanha contra os Herero e os Nama, entre 1904 e 1908
Foto tirada durante a guerra da Alemanha contra os Herero e os Nama, entre 1904 e 1908  (2004 AFP)

 

Buscando remediar as atrocidades cometidas no passado, a Alemanha apoiará a "reconstrução e desenvolvimento" do país africano por meio de um programa financeiro de 1,1 bilhão de euros que será pago ao longo de 30 anos em benefício, em primeiro lugar, dos descendentes das vítimas.
 

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“Um passo importante para a reconciliação”. O presidente da Comissão de Justiça e Paz da Conferência Episcopal Alemã (DBK), Dom Heiner Wilmer, saúda o reconhecimento do genocídio perpetrado pela Alemanha contra as populações dos Herero e dos Nama na Namíbia durante a era colonial.

Entre 1904 e 1908, dezenas de milhares de Herero e Nama que se rebelaram contra os colonos alemães que haviam se apossado de suas terras foram massacrados no que muitos historiadores consideram o primeiro genocídio do século XX.

Na sexta-feira, 28, depois de mais de cinco anos de difíceis negociações sobre esses trágicos acontecimentos, Berlim reconheceu o imenso "sofrimento infligido às vítimas" e sua "responsabilidade histórica e moral", anunciando que vai indenizar a Namíbia pelas "atrocidades" cometidas. Segundo o ministro Heiko Maas, a Alemanha apoiará a "reconstrução e desenvolvimento" do país africano por meio de um programa financeiro de 1,1 bilhão de euros que será pago ao longo de 30 anos em benefício, em primeiro lugar, dos descendentes das vítimas.

“O acordo com a Namíbia, e em particular o reconhecimento oficial de que o regime colonial alemão cometeu um genocídio contra os Herero e os Nama, representa um importante avanço, um sinal de que o governo federal está assumindo concretamente sua responsabilidade histórica e isso merece respeito”, comentou Dom Wilmer. “Reconhecer sinceramente culpas e responsabilidades abre o caminho para novos passos em direção à cooperação e reconciliação".

Segundo o presidente da Justiça e Paz da Alemanha, o acordo é um exemplo também para outras ex-potências coloniais europeias: “As consequências da história colonial têm um impacto duradouro em muitas sociedades e relações internacionais e muitas vezes dificultam nossa capacidade de agir em conjunto. Um exame honesto e autocrítico dessa história complexa é um pré-requisito para construir relacionamentos de confiança”, afirma o prelado.

“No entanto - acrescenta Dom Wilmer - o acordo só dará frutos se os atores sociais da Alemanha e da Namíbia o concretizarem, porque enfrentar as consequências do colonialismo só pode ser feito em conjunto e não é tarefa exclusiva do Estado. A Igreja Católica estará envolvida neste processo”, especifica ele.

A Comissão Justiça e Paz, apoiada pela Conferência Episcopal alemã e pelo Comitê Central dos católicos alemães, já está trabalhando em projetos específicos neste campo, juntamente com organizações humanitárias e parcerias eclesiais internacionais.

O território da atual Namíbia tornou-se uma colônia alemã em 1884, recebendo o nome de Deutsch-Südwestafrika. Mais de 60.000 pessoas perderam a vida nos campos de concentração onde foram presos os Herero, durante a repressão à rebelião. Invadido durante a Primeira Guerra Mundial pela África do Sul, o país permaneceu sob seu controle até 1989, quando se tornou independente.

Vatican News Service - LZ

 

fonte: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2021-05/alemanha-reconhecimento-genocidio-namibia.html